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Atores digitais invadindo o cinema | Hugh Jackman teve algumas cenas em CGI em “Logan”

E não é que deu mesmo?

  Gaby Nunes    quinta-feira, 09 de março de 2017

Quando Rogue One estreou final do ano passado, começou uma discussão muito intensa sobre a “ressurreição” de atores falecidos pelos poderes mágicos dos efeitos especiais (especificamente, Peter Cushing no seu papel de Moff Tarkin).

Essa discussão provavelmente vai continuar, já que Logan chegou aí, com nada menos nada mais que um dublê digital para Hugh Jackman e Dajne Keen, a jovem mutante Laura.

Por conta de algumas questões narrativas, o filme conta com a presença de dois Wolverines ─ um mais velho, cansado e não tão forte ou ágil quanto antes, e o novo, melhorado, versão 2.0, chamado X-24.

Dublês digitais não são novidade em Hollywood, mas o que impression no Logan é como realmente não dá pra notar que é digital. Apesar de serem poucas cenas e sem fala, são muito bem feitas e provavelmente nem o mais crítico dos críticos conseguiria achar defeito nesses momentos.

O estúdio responsável por esse trabalho, o Imagine Engine, em Vancouver,  teve um enorme desafio a enfrentar. A equipe sabia como seria difícil, especialmente porque “todo mundo conhece o Logan ─ esse é o maior desafio”, disse o supervisor de efeitos visuais, Martin Culpitt. “Muitas vezes olhamos para o Hugh real e o Hugh digital em monitores lado a lado”. Essa foi a primeira vez que o estúdio teve de criar um humano perfeito, não um humanoide ou alguma criatura que lembrasse a forma humana.

Here’s how the digital Hugh Jackman – as both X-24 and as Logan – and digital Dafne Keen were achieved, from planning the live-action on-set shoot, to filming it, to the special scans made of the actors, to the facial rigging and animation, and the final rendering and compositing work involved. In addition, the studio engaged in de-ageing visual effects for some of the Jackman/Jackman shots, in which footage of the actor would be augmented to make him look like the younger X-24.

Essa tarefa não foi nada fácil e o estúdio a dividiu em seis partes:

  1. Planejamento

Antes de iniciar as filmagens, várias cenas com “os Jackmans” foram montadas digitalmente. Isso deu ao estúdio uma noção do que poderiam fazer em cada cena que os dois Wolverines aparecem, especialmente as de luta.

  1. A Filmagem

Para que tudo desse certo, vários métodos de filmagem foram utilizados. Desde filmar cenas de luta com os dublês cheios de pontos na cara (para que os movimentos servissem de referência na animação), até cenas inteiras filmadas com Hugh interpretando Logan e depois somente repetindo movimentos específicos do X-24, isso, claro, depois de passar um bom tempo sendo maquiado para hora ser mais velho, hora ser mais novo. Trabalhoso, não?

  1. Escaneando pessoas

O rosto dos atores foram escaneados em diferentes momentos, com vários tipos de iluminação, tudo para criar o Sistema de Codificação Facial (FACS em inglês) perfeito. Foram 64 imagens no total. “A ideia”, disse Culpitt, “é poder alternar entre essas imagens para fazer parecer que o nosso ator digital está se mexendo e reagindo com emoção”.

Para facilitar a vida dos responsáveis pelos efeitos visuais, Jackman teve de raspar o seu cabelo a lá Wolverine, isso para que a luz atingisse mais áreas da sua pele e a imagem escaneada fosse o mais fiel possível ao ator.

“Fizemos isso para conseguir mais detalhes dos poros no queixo dele, para poder ser o formato da boca e do queixo”, explicou Culpitt.

  1. Construindo um modelo

Tudo isso foi só o começo de uma longa jornada para o estúdio Image Engine, que teve de usar todas essas informações e imagens para criar um modelo o mais fiel possível da cabeça de Hugh Jackman como Logan. “Tivemos de dar um jeito do animador refazer o trabalho muitas vezes ao dia, e ter a possibilidade de ver o modelo em alta resolução antes do render” disse o supervisor de animação CG, Uita Shimizu.

  1. Animação do rosto

O cabelo e outras características físicas apresentaram novos desafios para a equipe de animação. Apesar de utilizarem o Yeti, a dificuldade era conseguir manter a aparência do ator pose a pose.

“Quando a pose do ator mudava, dependendo do ângulo da câmera, não parecia o Hugh ou a Dafne. Então, nós acabávamos mudando, esculpindo e ajustando a animação para que ela ficasse fiel ao ator em todos os quadros.”

Os olhos ─ janela da alma ─ também dificultaram a vida de todo mundo. Uma lente especial foi feita para captar a luz refletida nos olhos dos atores e ajudar a imitar aquele efeito na animação. Sem todo esse empenho da equipe, o olhar de Logan não teria vida.

  1. Toques finais

O estúdio utilizou diferentes softwares, como o Gaffer, e o Arnold, da Solid Angle. Um ajudou na hora de acertar a iluminação, e deu a liberdade para os animadores repetirem várias cenas, e, portanto, fazer revisões bem mais complexas antes de ir para o render.

Já o Arnold serviu para ajustar as características da pele, como os poros e cicatrizes, e também facilitou na hora de ajustar o Hugh digital ao Hugh real, acrescentando ou removendo alguns elementos quando necessário (como cicatrizes, sangue, roupas rasgadas etc.).

Tudo isso só serve para provar que trabalhos como esse chegaram para ficar e estão auxiliando a manter o realismo nos filmes que precisam de dublês digitais. No caso de Logan, foi uma tacada de mestre, se um tanto ousada “Foi corajoso da parte dos executivos falarem ‘Vamos criar um ator digital com a cara de um ator famoso, e eles vão ficar um do lado do outro bem centralizados e na frente da câmera. E vai dar certo.”

E não é que deu mesmo? Se quiser checar o resultado dessa animação com seus próprios olhos, não espere, vá agora ver Logan nos cinemas!


Gaby Nunes

Gaby Nunes

Gaby B. Nunes trabalha como tradutora há quase 10 anos e como produtora de conteúdo e repórter há três. Fascinada por histórias de todos os tipos, música, conteúdo audiovisual e comida, ela busca equilibrar uma montanha interminável de trabalho com suas maiores paixões (o que significa que ela acaba comendo muitos doces na frente do computador).

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