Críticas

Crítica | Logan é o “Cavaleiro das Trevas” que a Fox nos dá de presente!

Logan chega aos cinemas brasileiros no dia 2 de março.

  Gaby Nunes    domingo, 19 de fevereiro de 2017

Se tem uma coisa que posso dizer hoje sobre Logan é que esse não é só mais um filme de super-heróis. Pelo contrário, Hugh Jackman veio para mostrar mais o homem por trás das garras, a fraqueza por trás da força e é isso que transformou esse filme no ─ ouso dizer ─ melhor da Marvel até hoje. Feito para todos e com momentos emocionantes com os quais qualquer um pode se identificar, o longa pode, sim, ser considerado “para adultos” muito mais pelo peso emocional que a violência em si (mas fica calmo que se é sangue que você quer, sangue você terá).

Todo fã da Marvel já cansou de ver o Wolverine invencível dando porrada sem nem suar. Esse Wolverine nós já conhecemos. Pois bem, Logan veio apresentar o lado mais humano, falível, cheio de inseguranças, de medos, de feridas que nunca cicatrizaram de James Howlett. Em um mundo que ninguém se importa com mutantes, Logan funciona como uma máquina, bebendo o tempo inteiro numa tentativa inútil de viver anestesiado, dormente, seus dias se misturando, sem sentido, e isso tudo sem ter com quem contar, já que seu antigo mentor e amigo, Charles Xavier, também está muito debilitado e precisa de seus cuidados.

Trabalhando com um único foco em mente, o de conseguir comprar um barco para que possa viver no mar com Charles, Logan vê seus planos virarem de cabeça para baixo quando a vida de uma pequena mutante ─ a primeira criança mutante que ele vê em 25 anos ─ colide com a sua e ele é forçado a fazer algo que odeia: se apegar a alguém.

Como não amar esse personagem e esse ator? Impossível!

Como não amar esse personagem e esse ator? Impossível!

Como vemos no trailer, existe uma organização atrás dessa menina, a Laura, e eles são perseguidos loucamente enquanto estão com ela. Sacrifícios enormes são feitos, lações são criados, e as consequências das decisões que nosso protagonista toma são tão tensas que eu não consigo descrever. Não foi só uma nem duas pessoas que choraram vendo esse filme hoje, e é impossível não sentir pelo menos uma dor no peito nos momentos mais emocionantes do filme.

Essa sofrência e humanidade toda não vieram do nada. Hugh Jackman disse, na coletiva de imprensa, que teve a ideia para Logan há dois anos, e que desde o início ele não queria que o último longa fosse chamado de Wolverine. O propósito sempre foi mostrar a história de um homem que havia vivido demais, e sofrido muito mais do que uma pessoa deveria em uma só vida. Devo dizer, ele conseguiu.

Até mesmo as cenas de lutas (e são muitas!) não estão lá de graça. Cada cena demonstra, de forma beeeem explícita, como Logan já não é mais o mesmo, está mais fraco, cansado, e, na verdade, sem vontade de lutar ─ literalmente ou não. A relação dele com a Laura também serve para mostrar (com muita clareza) como o tempo desgastou não só seu corpo, mas sua habilidade de se conectar com outros seres humanos (que nunca foi muito boa, cá entre nós).

A história de todos é muito bem desenvolvida. Cada diálogo tem um significado profundo (muitas vezes te dando dicas pra o que vai acontecer a seguir), e volta ou outra uma fala que algum personagem disse lá no início ou meio do filme volta no final para conectar tudo e fechar a história. O elenco utiliza esse roteiro incrível com maestria, e expõe para fãs do mundo todo um lado mais sombrio de personagens amados. Pra quem temia ver uma atuação ruim da Dafne Keen, por exemplo, pode ficar tranquilo, porque ela é talentosíssima!

Trio mais amado de 2017!

Trio mais amado de 2017!

Sinceramente, não consigo imaginar um final melhor para os 17 anos de Hugh Jackman como Logan. Tirando uma única forçada de barra no fim (uma palavrinha exagerada que eu relevei, porque o filme é muito bom), do primeiro minuto à cena final, tudo foi impecável. O longa utilizou várias referências dos quadrinhos, foi mais fiel às histórias que os fãs conhecem, humanizou X-Men que eram praticamente deuses, nos aproximou de personagens que tanto amamos e, o mais importante de tudo: deu a Logan a redenção que ele tanto buscava.

Por último, Hugh também disse na coletiva que filmes são feitos para nos fazer sentir, nos emocionar, nos tocar. E aqueles que realmente nos tocam e nos emocionam são os que lembramos, os que carregamos conosco. Então, se eu só tivesse uma frase pra descrever esse filme, eu diria pra você: Logan é um filme que você vai assistir e vai carregar com você para sempre. Vá, corra, voe para os cinemas, e assista Logan. Garanto que você não vai se arrepender.

Logan tem tudo para ser o primeiro filme de super-héroi a concorrer o prêmio de “Melhor Filme” no Oscar 2018, vaga que seu “amigo”, Deadpool,  quase ocupou no Oscar desse ano.

Obs.: Confesso que também sou fã de DC e só fico imaginando os caras lá chorando nesse momento, já que a Marvel conseguiu o tal filme profundo de adulto antes deles e com bem menos efeitos especiais. Sinto muito, DC, não rolou pra você (até rimei!). Mas continue tentando! Eu certamente não vou reclamar de ver mais filmes sensacionais como esse no cinema.


Gaby Nunes

Gaby Nunes

Gaby B. Nunes trabalha como tradutora há quase 10 anos e como produtora de conteúdo e repórter há três. Fascinada por histórias de todos os tipos, música, conteúdo audiovisual e comida, ela busca equilibrar uma montanha interminável de trabalho com suas maiores paixões (o que significa que ela acaba comendo muitos doces na frente do computador).

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